Publicado por: mpv | 1 de fevereiro de 2011

Indústria e as Revoluções

Indústria

Indústria é o conjunto das atividades realizadas na transformação das chamadas matérias-primas em estado bruto ou não – em bens de produção e consumo.

Antes da indústria moderna, a produção passou por dois estágios: o artesanato e a manufatura. É o que nós vamos ver agora.

O artesão e sua família, com o uso de ferramentas simples, realizavam todas as etapas do trabalho, desde a preparação da matéria-prima até o produto final, por isso não havia divisão de trabalho.

O produto dependia basicamente da capacidade de trabalho do artesão e de suas qualidades ou habilidades. Exemplo: para a produção artesanal de sapatos o artesão sozinho realiza todas as etapas para a elaboração desse artigo (curte o couro, corta-o, faz a sola e o salto, prega, pinta, costura etc.)

No século XIV e XV alguns artesãos passaram a comercializar seus produtos e outros se associar aos grandes comerciantes. Desenvolvia-se a economia de mercado – o capitalismo mercantil, propriamente dito.

Para defender seus interesses, organizaram-se nas chamadas corporações de ofício. Estas estabeleciam limites para o volume da produção e o número de trabalhadores, além de controlar o preço dos produtos. Com este sistema foi formada uma nova classe social, a burguesia que se tornava cada vez mais poderosa, porque era composta em sua maioria, por comerciantes que se tornaram ricos. A partir do século XVI, os trabalhadores começaram a se organizar em grupos para executar tarefas. Estava nascendo a Divisão Social do Trabalho. Todas as tarefas eram complementares da produção. Passaram a utilizar máquinas simples. É a fase da manufatura.

Nessa fase o trabalho dependia essencialmente da habilidade do homem e não da máquina. Exemplo: Um trabalhador curte o couro, outros fazem a sola, outros pintam o calçado, etc. Essa é a divisão do trabalho, cada trabalhador se especializa em uma parte do produto, mesmo sendo empregado o trabalho manual e o emprego de poucas máquinas.

No final do século XVII e início do século XVIII os trabalhadores das manufaturas e os artesãos viram-se obrigados a vender sua mão-de-obra por estarem desprovidos dos instrumentos necessários para seu trabalho, porque eles haviam encarecido de tal forma que os trabalhadores ficaram impossibilitados de adquiri-los. É nesta fase que surge o proletariado (trabalhador que vende sua força de trabalho por salário).

Os burgueses tornaram-se proprietários dos instrumentos de produção e se fortaleceram com o trabalho alheio. “O capitalista, indiretamente, começou a controlar o saber técnico do trabalhador, passou a ter controle sobre a sua produtividade.

O desenvolvimento do comércio e das cidades, o aumento da população, a modificação das relações de trabalho, a expansão marítimo-comercial européia e a colonização do continente americano criaram condições favoráveis para a eclosão da Revolução Industrial na segunda metade do século XVIII, na Inglaterra, dando origem à indústria moderna.

 

INDÚSTRIA MODERNA

A indústria moderna caracteriza-se por uma intensa e complexa divisão do trabalho, isto é, uma especialização do trabalhador em determinada atividade. Há uso de máquinas movidas por modernas formas de energia, produção em série e em grande escala. Em vista disso o trabalhador acaba perdendo a ideia de como se faz todo o produto. O fato mais característico da indústria moderna é o grande emprego de máquinas. A habilidade humana torna-se apenas um complemento da máquina, resumindo-se apenas em saber fazê-la funcionar. Exemplo: No caso da fábrica de sapatos, há uma máquina para pregar, outra para pintar e assim por diante; os trabalhadores fazem-nas funcionar, isso chama-se robotização.

 

Por que as indústrias se distribuem de forma desigual?

Ao analisar o mapa-múndi podemos notar que as indústrias se concentram em poucos lugares, principalmente nos países do norte.

Essa concentração se deve a fatores:

– A difusão do sistema fabril;

– A acumulação de capitais decorrentes da expansão comercial;

– A expansão do mercado consumidor e de matéria-prima, derivada da dominação imperialista;

– A criação de infraestrutura básica, como a rede de transporte e comunicação.

Para entender melhor o processo industrial vamos analisar, do ponto de vista

histórico e social, os fatores acima citados que caracterizavam as diferentes fases

da Revolução Industrial.

 

PRIMEIRA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

Por volta de 1790, o escocês James Watt inventou a primeira máquina a vapor e mudou todo o curso da história. Vale lembrar que a ciência e a tecnologia da época passaram a produzir máquinas movidas pela energia retirada do meio ambiente.

A criação Watt acionou a Revolução Industrial, que deu início à sociedade moderna urbana, à era da energia da água, do vapor dos ventos ou de qualquer outro tipo de energia que pudesse mover máquinas. A partir daí, começou um processo de poluição cada vez maior da atmosfera pela multiplicação de chaminés e motores industriais. A ciência então voltou-se para a natureza não mais para examiná-la, mas para extrair-lhe a energia, tomando emprestada a força de seus elementos. Durante a primeira Revolução Industrial, isto é, no final do século XVIII até a metade do século XIX, a principal fonte de energia foi o carvão mineral… Por essa razão houve grande desenvolvimento industrial em torno das principais bacias carboníferas do Reino Unido, particularmente, da Inglaterra, que na época era a grande potência econômica.

Já as riquezas acumuladas durante a expansão marítima (1453 – 1789), as imensas reservas de carvão mineral e do minério de ferro, favoreceram o desenvolvimento das siderúrgicas, e consequentemente: indústria naval, ferroviária, metalúrgica.

Assim, a Inglaterra pôde acumular ainda mais capital e dispor de matérias primas, energia, avanços técnicos. Observem no mapa a seguir as principais indústrias do Reino Unido, em especial as inglesas. A Inglaterra por muito tempo foi indiscutivelmente a grande potência industrial, mas as bases técnicas da indústria eram simples. Predominavam: a máquina a vapor, as indústrias têxteis. A grande fonte de energia era o carvão mineral.

Aos poucos, a indústria moderna foi se expandindo para outros países, como França, Estados Unidos, Alemanha, Japão, Austrália, Itália, Canadá, Ex – União Soviética (CEI), etc.

Já nos meados do século XIX, com a descoberta de novas fontes de energia como petróleo e eletricidade, inicia-se uma nova fase.

 

SEGUNDA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

Com o passar do tempo a liderança inglesa foi sendo substituída por outras economias mais dinâmicas, principalmente pelos Estados Unidos, Alemanha e Japão. Ocorreram grandes inovações técnicas proporcionadas pela descoberta da eletricidade e dos motores elétricos.

O carvão como combustível, foi substituído pelo petróleo que se tornou a principal fonte de energia mas continuava sendo importante para as indústrias siderúrgicas, por assegurar temperaturas elevadas aos altos fornos e também servir de matéria–prima juntamente com o minério de ferro, para a obtenção do aço.

Perdeu a importância locacional na indústria, uma vez que, o petróleo e a eletricidade são facilmente transportados. Esse fator permitiu a dispersão na distribuição geográfica das fábricas. Inicia-se a nova fase da indústria moderna.

No lugar das indústrias têxteis, as mais importantes passaram a ser siderúrgicas, metalúrgicas e, notadamente a petroquímica e automobilística. Também houve uma acelerada modernização do sistema de transporte e de comunicação que permitiu a dispersão locacional das indústrias.

Já a disponibilidade de mão de obra e o mercado consumidor, foram e continuam sendo fundamentais na localização das indústrias, o que justifica que o fenômeno industrial sempre esteve e está ligado às grandes cidades, como :

Londres, Paris, Nova Iorque, Tóquio, São Paulo, Cidade do México, etc. Muitas dessas cidades foram e continuam sendo entroncamento de rodovias, ferrovias e aerovias que facilitam o fluxo de matérias-primas e de produtos industrializados. São essas cidades que abrigam as sedes de bancos e escritórios de grandes empresas.

Veja que as cidades industriais atraíram e atraem cada vez mais pessoas, aumentando ainda mais a concentração demográfica. O fenômeno urbano e o fenômeno industrial se constroem mutuamente ao longo da história, pois as cidades crescem e desenvolvem sua infraestrutura e o espaço torna-se cada vez mais socializado e organizado para atender às demandas do capital e das necessidades da população. Assim surgiram inúmeras indústrias que podemos classificá-las de acordo com a produção e o destino das mesmas.

 

Resumindo você tem:

Indústrias de bens de produção, também chamadas de base ou pesada tendem a se localizar próximo das fontes fornecedoras, portos ou ferrovias, por exemplo: siderúrgicas, petroquímicas, de cimento;

Indústrias de bens de capital ou intermediárias têm a finalidade de equipar outras indústrias por isso, tendem a se localizar próximo das regiões industriais;

Indústrias de bens de consumo não duráveis (bebidas, alimentos, calçados) ou duráveis (móveis, automóveis, eletrodomésticos, aparelhos eletrônicos), localizadas nas regiões industriais, destinam-se ao mercado consumidor.

 

TERCEIRA REVOLUÇÃO OU REVOLUÇÃO TÉCNICO-CIENTÍFICA

Após a Segunda Guerra Mundial a ciência e a tecnologia estão estreitamente ligadas à atividade industrial e às outras atividades econômicas: agricultura, pecuária, comércio e serviços (ideias, técnicas, novas formas de utilização de recursos).

A microeletrônica, o microcomputador, o software, a telemática, a robótica, a engenharia genética, os semicondutores são alguns símbolos dessa “nova era”.

O trabalho repetitivo tem sido substituído pelo trabalho criativo que atende às constantes variações do cotidiano da linha de produção . Começam a surgir os CÍRCULOS DE CONTROLE DE QUALIDADE, CCQ, nos quais grupos de trabalhadores reúnem-se discutem a melhoria da qualidade do produto e o aumento da produtividade. Antes como você já viu a responsabilidade e a habilidade de cada trabalhador ficavam restritas a uma única tarefa, nos círculos de controle de qualidade implantados nas empresas mais modernas, o trabalhador passa a ter conhecimento de todo o processo produtivo e a nele intervir. É provável que em pouco tempo o trabalho repetitivo, característico da indústria até recentemente, fique restrito à ação de máquinas O Japão tem sido pioneiro na criação dos novos métodos de produção, mais ágeis e flexíveis que estão sendo adaptados às indústrias em quase todo o mundo.

Por meio desses novos métodos, várias características da mercadoria podem ser modificadas em pouco tempo. Alterações no design, introdução ou substituição de componentes e até a produção de outra mercadoria totalmente diferente podem ser feitas a partir de pequenas reestruturações no interior da mesma fábrica, utilizando-se os mesmos equipamentos. Os recursos da microeletrônica e da informática viabilizam essas frequentes mudanças.

Tal flexibilidade da atividade industrial tornou-se necessária num mundo em que a evolução da tecnologia provoca uma diminuição frequente da vida útil das mercadorias. A constante modificação e a criação de produtos são hoje exigências do próprio mercado de consumo. Esse sistema de produção totalmente adaptado ao mercado ficou conhecido pelo nome de just-in-time ( tempo justo). No interior da fábrica, as diferentes etapas realizadas de forma combinada entre os fornecedores, produtores e compradores. A quantidade de matérias-primas que entram na fábrica corresponde exatamente à quantidade de produtos que serão produzidos. As mercadorias são feitas dentro do prazo estipulado e de acordo com a exigência dos compradores. Além da eficiência, o sistema just-in-time permite a diminuição do custo de estocagem e o volume da produção fica diretamente relacionado à capacidade de mercado, evitando-se perdas de estoque ou diminuição do preço, caso ocorra uma defasagem tecnológica.


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